Poesia "Holocausto das árvores" do livro "Kupahúba" de Marcia Theophilo

Jerimum o Sol que nasce
inchando o vermelho no céu
Floresta cheia de cores
roendo as entranhas da terra
com suas raízes vivas
Kupahúba tem raízes
Não vai encontro ao vento:
è o vento que a abraça
trás o cheiro do bacuri, fruto carnoso,
do capuaçu, polpa aromatica
de pitanga, de murici...
No céu vermelho alaranjado
o silencio obscura a luz
Kupahúba vê um rio derramar-se
brotando da casa do sol
O vento traz luz resplandecente
e fumo negro e calor incandescente
e penetra entre as arvores
as folhas ardem movendo-se
no meio da desordem da floresta
entre o caos e a fumaça.
Tudo é fogo... as arvores caem... tudo è cinza:
Neste ritmo frenético também o céu cairá.
O extermínio não pára:
Kupahúba espera
sente o fogo correndo em seus ramos
seu corpo verde treme e sente a dor,
ela que alivia a dor sente
o fogo gemer em seu tronco
perpassar suas raízes
e a terra morta da floresta devastada,
escombros...
O holocausto de uma multidão de arvores.
O vento não trás musicalidades conhecidas
perturbações de verde e azul
retornem retornem ritmos antigos

Márcia Theóphilo, 1998

 

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